Fez-se anunciar com um porta-fatos negro no cabide do outro lado do sofá. Espreitei pela porta escancarada para um bom dia de boas-vindas e fui recebida pela mochila largada no lugar do computador. Os porta-fatos não mostram alturas, nem mochilas espíritos e idades, nem as idades, pessoas.
Voltei ao meu lugar, liguei o pc, arrumei o almoço desenrascado no frigorífico da ponta e fui dar um olá sorridente às três salas de caras amigas, sei-lhes mais que o nome a chávena do café.
Café!
Telefone.
Computador.
Sentada, a porta olhada dá para uma parede que não deixa anunciar pessoas, uma espécie de recepção de vultos. Uns e-mails depois, aparecem três vultos, eram dois fatos escuros e uma barriga verde inverno que trazia um homem baixo. Por exclusão de fatos, deduzi que o homem baixo e verde era o dono do porta-fatos e da mochila largada na sala despida.
Pouco depois, os dois fatos mantendo a distância de segurança que uma secretária obriga, apresentam-me a barriga verde inverno. As pálpebras descaídas decoravam uns olhos negros carregados, não de tristeza, mas da necessidade de um prefixo ao nome de baptizado, seria doutor, engenheiro ou arquiteto, jurando que não precisava de tais formalismos, mas exigindo-o veladamente a cada ordem ditada. Seria a quem se teria de dirigir todos os améns, acreditava que crescia a cada amém recebido, mas minguava aos olhos das quatro salas e nós minguávamos com ele. O verde inverno era seco, faltava-lhe água e o almoço, o que tinha em fé faltava-lhe em exemplo. Quando vestia o fato parecia uma criança mascarada de polícia com dístico de uma loja do chinês.
Um dia, depois de muitos bons dias sem olá, um dia em que não almoçou, rebentou-lhe a barriga verde e sujou a primavera em cima de mim e do chão. Agora não era um homem baixo de barriga verde, era um homem verde, pequeno e raso aos olhos de todos os que se aproximavam da porta que dava para a parede.
Antes fosse barriga de almoço verde, antes fosse um Homem, antes fosse Romeu… com um não à nascença transformou-se… Romão, baptizado.